Streaming: opções para sua casa

O termo streaming se torna cada vez mais comum no nosso dia à dia, principalmente quando falamos da sala de casa. A tradução ao pé da letra é “transmissão”, e é realmente esse o conceito, permitir a transmissão de vídeos, fotos, música e até telas de dispositivos. Praticamente todos os fabricantes de tv adaptaram suas tvs para serem smart tvs, mas normalmente o potencial de uma smart tv é mais baixo quando comparado a dispositivos de streaming que existem no mercado. O termo streaming é mais falado associado a serviços como Netflix, Deezer, Youtube, mas ele também se aplica para o seu conteúdo pessoal, como vídeos e fotos que você tenha feito em suas férias.

1-Conceitos

Vale falarmos de alguns termos usados no streaming.

  • Media server: estou falando aqui do seu media server pessoal, o media server é um software que funciona como repositório de todos os seus arquivos de media (fotos, músicas e vídeos). Nada impede que você tenha diferentes media servers na sua casa, ou seja, seu computador possui um media server instalado, seu celular outro, seu tablet outro. O media server é usado armazenar o conteúdo de arquivos seus que você queira ver/escutar, caso você somente queira ver o conteúdo de serviços de streaming (ex.: Netflix, Youtube, Google Play, Apple), você não precisa de um media server.
  • Dispositivos de streaming: reprodutores ou renderers: correspondem ao dispositivo que irá reproduzir o conteúdo que você quer ver/escutar. Então sua tv ou celular podem funcionar como renderer para vídeo, fotos ou músicas. A maior parte dos dispositivos de streaming (mais detalhes abaixo) conseguem fazer o papel de renderer dos seus arquivos pessoais (a partir dos dados enviados pelo Media Server), além disso, esses dispositivos normalmente vêm com aplicativos que permitem usar os principais serviços de streaming do mercado (ex.: Netflix, Youtube, Google Play, Apple).
  • Controle remoto: quem normalmente faz esse papel é o seu celular, dependendo do aplicativo que você usa, você pode escolher qual “media server” vai querer usar (dependendo dos arquivos que você quer ver/escutar) e escolher qual dispositivo você vai usar como renderer, que pode ser a tv do seu quarto, a tv da sala, um chromecast etc. Da mesma maneira, você pode abrir aplicativos de serviços de streaming (ex.: Netflix, Youtube) no seu celular e definir em qual renderer você vai reproduzir o mesmo.
  • Roteador wireless: para que tudo funcione na sua casa, todos os três dispositivos acima devem estar conectados na sua rede local. Assim, normalmente todos os itens citados acima estão conectados na sua rede wifi.

2-Media server

Existem algumas características importantes a se considerar ao escolher um software de media server:

  • Sistema Operacional: existem media servers para Windows, Unix, OS X, Android, iOS etc. Então é importante você definir onde você irá executar seu media server (ex.: computador, laptop, celular, NAS drive, tablet). O melhor para mim é tê-lo instalado em um computador que tenha um hd com um bom espaço, mas você pode instalar em outros dispositivos.
  • Transcoding: nem todos os dispositivos que atuam como renderer (tvs, boxes etc) suportam todos os formatos de arquivo que você tem. Então, pode acontecer de você tentar passar um vídeo na sua tv e ela não exibir o conteúdo do mesmo, porque ela não está preparada para aquele codec. Além disso, sua tv pode passar o vídeo, mas ao mesmo tempo ficar congelando a imagem e acontecer o stuttering. Para esses dois problemas (codec e stuttering), o transcoding executa um papel fundamental, porque ele converte a media durante a transmissão para determinado dispositivo, de forma que o dispositivo consiga entender o conteúdo (mudança de codec) e até mesmo adapta a qualidade do vídeo, para que a exibição não fique engasgando. Vale ressaltar que o transcoding demanda consumo de CPU, então normalmente só funciona em Media Servers instalados em computadores e laptops.
  • Controle remoto: para mim, é importante que você possa usar celular como controle remoto. Essa característica não é problema, pois existem vários aplicativos que te permite controlar seus media servers e renderers pelo celular, o que mais gosto é o Bubble UPnP. No entanto, caso o seu Media Server já possua um respectivo aplicativo para celular, melhor usar o par.
  • Thumbnail: esse é outro ponto importante, principalmente se você tem fotos e vídeos de férias. Quando você estiver fazendo browsing dos arquivos, para mim é importante ver uma imagem dos mesmos para saber do que se trata, os nomes dados por câmeras e celulares não ajudam muito.
  • Acesso remoto: esse é um plus, mas caso você queira usar seus arquivos fora de casa, através da internet, vale tentar identificar um media server que permita esse acesso.

Testei alguns media servers, mas realmente para mim o melhor de todos é o Plex, que atende todos os itens que listei acima. Ele possui uma versão gratuita e uma versão paga, mas para mim a versão gratuita é mais que suficiente. Vale entrar no site para se ver as diferenças entre as duas versões: http://plex.tv. Além disso, você pode baixar inicialmente a versão gratuita e caso tenha interesse, adquirir a versão paga depois.

plex menu

NAS drives como media servers: é importante ressaltar que existe a opção de se usar NAS drives com um media server embutido. Esses dispositivos são basicamente hds, que possuem um processador simples, sistema operacional e um media server instalado. No entanto, como normalmente o processador é mais simples, muitas vezes não se consegue usar o media server embutido para fazer um bom streaming de vídeos. Um exemplo de dispositivos como esse é MyBookLive da Western Digital, que vem com Twonky como Media Server.

3-Dispositivos de streaming: reprodutores ou renderers

Como falei no início, sua tv ou home theater podem atuar como renderer, e dependendo da versão podem fazer muito bem esse papel, vale explorar a capacidade da tv e home theater que você já tem em casa. Aqui, vou falar mais dos dispositivos de streaming externos, eles normalmente são de dois tipos: caixas ou dongles hdmi/usb. Ambos os tipos não possuem visor, possuem normalmente um conector de saída de vídeo/áudio (normalmente hdmi) e uma conexão internet, que pode ser wifi ou ethernet (cabo).

Streaming boxes: como exemplo, temos o AppleTV, Roku, Amazon Fire TV, Western Digital TV, além de várias caixas Android de marcas menos famosas. Uma menos famosa que destaco, por ter sido o top de vendas da Amazon é o G-Box, que é uma caixa com sistema operacional Android.

apple tv roku amazon fire tv wd tv

Dongles: nesse caso, temos o Chromecast, Amazon Fire TV Stick, e também diversos dongles Android.

Chromecast2amazon fire stick

Normalmente as caixas tem maior poder de processamento e são mais caras, mas vale ler as especificações de cada dispositivo (ex.: CPU, memória, espaço). Outro ponto para se atentar é que muitas das caixas/dongles vendidos nos Estados Unidos possuem serviços de streaming que não estão disponíveis no Brasil, devido ao bloqueio de restrição geográfica, como exemplo temos o serviço de filmes Amazon Video e Hulu.

4-Controles remotos

O melhor controle remoto para mim é o seu próprio celular ou tablet, mas nem todos os dispositivos de streaming que comentei possuem aplicativos para celular, abaixo segue um overview sobre os dispositivos. Existem dois tipos de controle:

4.1-Cast

Nesse caso, você abre o aplicativo de streaming que você quer usar no seu celular ou tablet (ex.: Netflix, Youtube, Deezer) e depois escolhe para qual dispositivo você quer enviar a imagem/som. A restrição é que o dispositivo de streaming precisa suportar o cast. Para ver se seus dispositivos possuem suporte para cast, basta abrir o aplicativo que você deseja usar no celular e clicar no botão de cast ( cast), serão listados então os dispositivos disponíveis na sua rede. O dispositivo que mais suporta esse modo é o próprio Chromecast. Por mais que você tenha um android box, não se consegue baixar no Google Play a versão dos aplicativos que suportam cast (ex.: Youtube). Já no caso do Plex, a solução é mais simples, basta você instalar o aplicativo no Apple TV, android box etc e você poderá fazer o cast para lá.

4.2-Aplicativo como controle remoto

Normalmente, os streaming boxes vem com seus controles remotos próprios que funcionam com infra-vermelho ou bluetooth. No entanto, dependendo do dispositivo, a navegação não é muito prática, principalmente sob o ponto de vista de digitar textos ou uso de mouses.

Uma solução, é usar um aplicativo de controle remoto para dispositivos, onde se instala um aplicativo servidor no dispositivo que se quer controlar e um aplicativo cliente no seu celular ou tablet. Nessa área para Android, o melhor para mim é o aplicativo DroidMote (que possui a versão servidor e a versão client), a única restrição é que ele precisa que o dispositivo que você quer controlar seja “rooted”, ou seja, que você tenha privilégios de administrador no mesmo. O aplicativo é bem interessante, ele transforma seu celular ou tablet em um mouse touch pad, assim você consegue controlar o ponteiro do mouse do dispositivo de streaming.

4.3-Controle remoto físico

Para contornar o problema de dispositivos que não podem ser “rooted”, existem diferentes controles remoto usb e bluetooth à venda, onde para mim os melhores são os que incluem um mouse touch-pad e teclado. Abaixo, apresento um exemplo desses controles remotos, que acho bom.

QQ-Tech Mini Bluetooth Keyboard W Touchpad: ele tem teclado, mouse touch pad, botão de home (importante no Android) e é bluetooth. Um ponto importante é que ele é recarregável, para isso, basta conectar um cabo usb nele.

controle-remoto-android

5-Roteador Wireless

Sem dúvida, o melhor é ter um roteador wifi do tipo ac, que é a última tecnologia até o momento. Para ficar mais claro, abaixo listo as velocidades máximas por tipo de tecnologia WiFi:

  • b: frequência de 2,4GHz com capacidade teórica de até 11 Mbps
  • g: frequência de 2,4GHz com capacidade teórica de até 54 Mbps
  • n: frequência de 2,4GHz com capacidade teórica de até 65 Mbps e frequência de 5GHz com capacidade teórica de até 300 Mbps
  • ac: frequência de 2,4GHz com capacidade teórica de até 450 Mbps e frequência de 5GHz com capacidade teórica de até 1300 Mbps

Para mais detalhes, vale ver o artigo sobre roteadores (em breve será publicado).

6-Quais são as melhores combinações dependendo do tipo de media?

No mundo do streaming, normalmente três são os conteúdos: vídeo, fotos e música. Fotos e músicas são os conteúdos mais simples, pois não demandam uma grande banda para transmissão, então praticamente todos os dispositivos tem uma performance razoável, o mais complicado é a parte de vídeo. Mesmo assim, há diferenças quando se tenta ver fotos na tela grande da sua tv, vou colocar aqui o que para mim são as melhores configurações/dispositivos para cada tipo de media (vídeo, foto e som) e também falar dos media servers.

6.1-Fotos

Fotos parecem ser simples, mas é impressionante como dependendo do aplicativo e renderer usado, demora para reproduzir, às vezes o slide show não funciona etc. Para mim, a melhor combinação é usar o Plex com o Chromecast (seja o novo ou o antigo). Aqui você pode ter suas fotos armazenadas no Plex media server instalado no seu computador ou ter as mesmas direto no seu celular, depois é só entrar no seu celular abrir o aplicativo do Plex, escolher a biblioteca de media (arquivos armazenados no celular, arquivos de outro servidor de media) e fazer o cast (cast) do Plex para o Chromecast, usando assim o Chromecast conectado a sua tv como renderer e pronto. Você vai conseguir ver suas fotos sem problema!

6.2-Vídeos

Tudo depende da definição dos arquivos de vídeo que você quer ver. Dependendo, você consegue ver perfeitamente usando a combinação Plex sem media server e Chromecast que citei acima, mas para outros casos, o ideal é ter a configuração abaixo:

  • Plex Media Server: instalado em algum pc/laptop da sua casa, para permitir o transcoding, caso necessário
  • Streaming Box como renderer com o aplicativo do Plex instalado: o objetivo é ter um renderer com maior poder de processamento. Vi que G-Box vendido na Amazon funciona bem para isso.
  • Controle remoto: pode ser seu celular, também com o aplicativo do plex instalado. Quando você abrir o Plex no seu celular, você vai escolher como bliblioteca (Plex Server), o local onde estão os seus vídeos, depois você vai escolher para cast (cast) o streaming box que está conectado na tv onde você quer ver o vídeo. Feito isso é só apertar o play.

6.3-Música

Escutar música é uma das coisas menos complicadas. Caso você tenha músicas no Media Server do seu pc, o Plex funciona muito bem para fazer o cast em outros dispositivos da sua casa, como home theater, streaming boxes, chromecast etc. Nesse contexto, vale ver um outro artigo que fiz, clique aqui.

7-Serviços de streaming de vídeo

Abaixo listo alguns serviços de streaming de vídeo existentes hoje no Brasil.

  • Netflix: dispensa comentários, paga-se um valor mensal e se tem alguns filmes novos, mas não todos os disponíveis em serviços como Telecine On Demand. Um grande diferencial são as séries.
  • Youtube: também dispensa comentários, mas é interessante destacar, que estão ofertando o aluguel de alguns filmes mais antigos completos
  • Crackle: o serviço é gratuito, no entanto os filmes são razoavelmente antigos.
  • Google Play: em relação aos filmes novos, possui conteúdo similar ao Telecine On Demand
  • AppleTV: em relação aos filmes novos, possui conteúdo similar ao Telecine On Demand
  • Vivo Play: não possui vídeos tão novos quanto Google Play, Net Now e Apple TV
  • Telecine Play: somente disponível para assinantes do TelecinePlay, permite que você veja os filmes da programação dos canais Telecine, não incluindo os filmes do Telecine On Demand, que são os últimos lançamentos e devem ser comprados em separado
  • Looke: conteúdo similar ao Google Play

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